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Jangada do Desassossego

Por Luís Eusébio, mestrando em Ciências da Comunicação

Jangada do Desassossego

Por Luís Eusébio, mestrando em Ciências da Comunicação

Quem Governa o Mundo?, Noam Chomsky

por Luís Eusébio, em 01.02.18

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Há muito que a pena insubmissa de Chomsky desafia directamente os «Senhores da Humanidade», que parecem entreter-se a girar entre os dedos o destino do planeta. Em Quem Governa o Mundo, o autor dedica-se à dissecação dos centros de poder global, no seu conhecido tom mordaz e impetuoso. Discorre, assim, sobre matérias primordiais do nosso tempo como o conflito israelo-palestiniano, a política intervencionista americana, a iminência de uma guerra nuclear, as alterações climáticas ou o terrorismo. Ciente da importância do combate à amnésia histórica, terreno fértil “para os crimes que ainda estão para vir”, o filósofo faz um rigoroso levantamento histórico alicerçado em centenas de referências a estudos, reportagens, documentos oficiais ou entrevistas.

 

O activista revela-se particularmente ácido no que toca ao controlo económico, militar, político e ideológico exercido pelos EUA no mundo, norteado pela ideia arreigada de que lhes cabe um sagrado dever civilizador. Neste âmbito, Chomsky enfatiza a noção de que “a nação norte-americana apoia a democracia se, e apenas se, as consequências não entrarem em choque com os seus objectivos estratégicos e económicos”. No decorrer da obra torna-se omnipresente a constatação de que o poder político se atrelou aos interesses privados de uma elite económica: “a vasta maioria da população, situada no ponto mais baixo da escala de rendimento/ riqueza, é efectivamente excluída do sistema político e as suas opiniões e atitudes são ignoradas pelos seus representantes formais, ao mesmo tempo que um sector ínfimo, situado no topo da escala, exerce uma influência avassaladora”.

 

Talvez por isso defrontemos, hoje, as mais estarrecedoras decisões da história da humanidade. Em cima da mesa estará, sobretudo, a capacidade que teremos de garantir uma existência digna: a destruição ambiental e a guerra nuclear emergem como problemas avassaladores que exigem respostas imediatas, antes que seja tarde demais. Chomsky aponta um caminho: é crucial contrariar veementemente a apatia e a passividade política em que imergimos, distraídos que estamos com o consumismo desenfreado e o ódio aos vulneráveis fomentado pelos populistas que por aí pululam.

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Fahrenheit 451, Ray Badbury – Ser livre para ler

por Luís Eusébio, em 22.09.17

Os livros oferecem-nos a possibilidade de capturar um tempo, de inscrever um aqui, um agora, um eu. Na escrita legamos o nosso entendimento e experiência do mundo. Fahrenheit 451 abre-nos as portas de um mundo sem livros. Um mundo desprovido, por isso, de memória.

 

Ray Bradbury narra a história de Guy Montag, bombeiro cujo trabalho consistia em atear fogos. Nesta sociedade totalitária, os bombeiros existem para queimar livros. Impera aqui uma atmosfera impregnada de medo, apatia e ignorância. Há uma felicidade de plástico generalizada, alicerçada no conforto de não pensar: “Se não queremos um homem politicamente infeliz, não lhe damos duas respostas a uma pergunta que o preocupe; damos-lhe uma. Melhor ainda, não lhe damos nenhuma. Deixamos que se esqueça que existe uma coisa como a guerra.”

 

Montag julgava-se feliz, desempenhava o seu trabalho com um sentido de dever perante a pátria e a justiça. Até que, pela primeira vez, ousou questionar(-se). Os livros que devia queimar incendiaram-lhe o pensamento. Por fim, libertou-se das correntes que o agrilhoavam. Tornou-se livre num mundo hostil e estéril.

 

Bradbury aponta-nos o caminho: “um dia recordar-nos-emos de tantas coisas que construiremos a maior escavadora a vapor da História e abriremos a maior sepultura de todos os tempos e empurraremos lá para dentro a guerra e tapá-la-emos.” Um livro é uma extensão perene da memória, onde perpetuamos aquilo que somos e aquilo que (não) queremos ser. São livros como este que nos fazem ter certeza disso.

 

 

“Os livros são como faróis construídos no mar do tempo.”

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